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Histórico

No longínquo ano de 1872, conta a tradição, em uma cancha de carreira existente no local onde hoje está a nossa Avenida Flores da Cunha, na direção da Prefeitura para os lados da saída de Passo Fundo, possivelmente em uma tarde de domingo, Pedro Ribeiro da Santana Vargas, jovem habitante das redondezas, talvez tenha dito a seu pai Possidônio Ribeiro da Santana Vargas: "- Que lugar bonito, meu pai, para construir uma capela e fundar um povoado". Repetia ele um desejo de todos, que há alguns anos sonhavam com um novo centro populacional, como aquele de onde procediam.

 

E não pensando mais, Pedro Vargas botou mãos à obra, organizando uma lista de contribuições para adquirir a terra que pertencia a Floriano José de Oliveira. Abriu-a com 120 mil réis, conseguindo mais 80 mil réis, totalizando 200 mil réis, que era o preço da terra. E após o memorável domingo de carreiras, conforme a tradição novamente, ocorrido em 1872, onde se iniciou a doação da terra para o povoado, e que efetivamente se concretizaria em 28 de dezembro de 1880, novamente os desígnios do Destino. No seu afã de transportar tropas de gado, ao atravessar o Rio da Várzea, próximo a uma cachoeira ali existente, ou talvez no no arroio dos Cabritos, durante uma cheia, surgiu a fatalidade. Ao tentar salvar a vida de um escravo que se afogava, encontrou a morte por afogamento. O mesmo escravo que o teria salvo em São Paulo na passagem do Ribeirão do Iguape, anos antes. Deixava de existir aos 33 anos um homem. Pelos padrões da época um pouco antes do que seria previsto. Pelos padrões atuais, muito cedo. Nascido em Ponta Grossa em 09 de novembro de 1844, faleceu em Carazinho em 08 de agosto de 1878.

 

E assim nasceu Carazinho. Com a presença de homens que pertenciam a uma sociedade já desenvolvida, como Ponta Grossa, Castro, Curitiba, e outras, migrando para uma região completamente desabitada e sem nenhum dos confortos conhecidos então. Sabendo do perigo dos índios e da total falta de recursos a que seriam submetidos.

 

Foi enterrado Pedro Vargas no antigo cemitério de Carazinho, localizado à época onde estão hoje os prédios nos 594 e 618 da Avenida Flores da Cunha. Posteriormente seus restos mortais foram trasladados para um jazigo da família Vargas, no segundo cemitério, que se localizava na esquina da rua Itararé com Princesa Isabel, na Glória. Em 20 de janeiro de 1963, por iniciativa do Padre João Gheno Neto, foram levados para Matriz do nosso Senhor Bom Jesus, onde se encontram.

 

Denominando-se Jacuhyzinho, a partir de 1857, como 4º Distrito de Passo Fundo, haveria de ser Carazinho, como povoado, oficialmente iniciado em 1880, com a doação de terra. Após as primeiras iniciativas para a formação do povoado, fato ocorrido, conforme a tradição, em 1872, iniciou-se a capela, em local próximo de onde hoje se encontra a Matriz.

 

Logo principiou a distribuição dos terrenos urbano para os primeiros habitantes, sendo esses, Vicente Braz Ferreira Martins, Simão Meireles da Silva, Fidelis Michelini, Polydoro Ferreira de Albuquerque, Belizário da Rocha Ribeiro, Galdino Rodrigues Marques, João Antônio de Barros, Maria Lourença da Conceição, Salvador Balté, Manoel Francisco Martins, Antônio Umbelino de Oliveira, João J. Martins, Antônio Corrêa Leite e Silva, José Franco de Almeida, Joaquim Moreira, Generoso Fanha, Vicente Antônio de Barros e Maria Joana Martins. Mal essas dezoito pessoas tinham concluído suas casas tratou-se da capela, que em menos de dois anos estava pronta e tomou o título de Senhor Bom Jesus de Iguape. Posteriormente foi autorizada e efetuada sua benção.

 

Iniciando a década de 1930 avolumavam-se os movimentos emancipacionistas. O Espírito de luta criado com a Revolução trazia novos ânimos às pessoas. O progresso que se fazia sentir em nossa região, apesar da conjuntura internacional, que se sentia negativa, avolumava as vozes em favor da autonomia administrativa. O "jornal da Serra", de propriedade de Canuto de Souza e dirigido pelo mesmo, constantemente publica notícias relacionadas com o movimento. Em sua edição de 11 de dezembro de 1930, sob o título: "O Vilamento de Carazinho", faz um minucioso relato das providências tomadas pela comunidade, visando à emancipação. Era o primeiro de um movimento realmente efetivo e que reunindo três líderes: Paulo Coutinho, Coletor federal e pessoa que exerceu liderança em todas as atividades comunitárias, sendo segundo nossa opinião o expoente da emancipação de Carazinho. Também o Dr. Homero Guerra, jovem idealista, que viria a ser o 1º Prefeito Municipal, assim como Coronel Alberto Graeff, líder político respeitado.

 

Durante esse trabalho a Revolução de 1930 veio sustentar em parte a execução do plano traçado. Vitorioso o movimento e reanimado pela palavra do General Flores da Cunha, que em vibrante oração proferida no Barracão Liberal, junto à Estação da Viação Férrea, por ocasião de sua passagem em direção ao norte, o qual prometeu a emancipação do então distrito, continuaram na linha traçada.

 

Em 24 de janeiro de 1931, o então Interventor Federal no Estado, Gal. Flores da Cunha, baixou decreto nº 1.707 emancipando o município.

 

Posteriormente, em 24 de fevereiro de 1931 chegava à Igreja Católica o Dr. Homero Guerra, Prefeito nomeado pelo Interventor do Estado, para assistir à Missa solene em regozijo pela instalação do município. Às 11 horas da manhã, na Praça Brasil, em mesas improvisadas foi servido um grande churrasco às autoridades e ao povo em geral. Para abrilhantar os festejos reuniu-se a banda da localidade, que estava em processo de extinção, mas que voltou a se congregar em virtude do fato. Às 13 horas, precedidos pela banda de música, seguiram todos para o Clube Comercial, onde seria procedida a solenidade de instalação do Município. Eram exatamente 14:30 horas quando o Prefeito Homero Guerra declarou oficialmente instalado o município de Carazinho.

 

Os trechos sobre a história de Carazinho, acima, foram retirados do livro "Do Caapi ao Carazinho - Notas sobre 300 anos de História (1631-1931)", de Autoria de Álvaro Rocha Vargas, carazinhense nascido em 14 de janeiro de 1937 e que faleceu em Carazinho no dia 17 de maio de 2003.

 

 

1927

1927 - Hotel familiar Rua Alexandre da Motta entre Silva Jardim e Itararé

1945

1945 - Final do ciclo da madeira

1950

Década de 1950 - Praça Brasil

1950

Década de 1930 - Hotel dos Viajantes

 

Aproximadamente 1937 - Início do calçamento da Avenida Flores da Cunha

1910 - Rua do Comércio

Década de 1950 - Praça Brasil

1941 - Obelisco comemorativo ao decênio da instalação do município

 

Década de 1940/1950 - Vista parcial da cidade